Já dissemos, em outros anos, que tínhamos pressa. Agora, temos urgência. Urgência por mudar a mentalidade dominante e imediatista do mundo dos negócios e incorporar a visão de médio e longo prazo nas decisões estratégicas. E queremos ampliar o número de empresas e pessoas que compartilhem conosco essa visão. Para acelerar esse movimento, criamos o Espaço Real Práticas de Sustentabilidade
, um processo estruturado de troca de experiências e de construção coletiva de novos caminhos por meio de cursos, oficinas e palestras, presenciais e virtuais. Desde que decidimos iniciar nossa jornada, em 2000, acumulamos uma experiência que seguramente ajudará outras empresas a abreviar o aprendizado de como inserir a sustentabilidade em suas estratégias de negócios. “Nosso pioneirismo foi cercado de desafios e marcado por muitas vitórias, mas também por incoerências e erros.Queríamos compartilhar nossa experiência e nossas práticas, ao longo desses anos, e contar essa história de uma forma que nos levasse a contribuir ainda mais com a construção de uma sociedade sustentável”, diz Maria Luiza Pinto, diretora-executiva de Desenvolvimento Sustentável do Banco Real.
Caminhos para o aprendizado
Em nossa jornada, aprendemos, por exemplo, que o apoio da liderança é muito importante. Logo na primeira turma do Prática Real de Sustentabilidade: Caminhos e Desafios, os participantes eram todos profissionais de nível gerencial e de diretoria das áreas Financeira, de Recursos Humanos e de Sustentabilidade. Eles saíram do evento com planos de ação nas mãos. Apesar da disposição para disseminar os novos conceitos e aprendizados dentro das suas corporações, percebemos que os planos não se tornariam realidade se os donos das empresas não estivessem sensibilizados.
Promovemos, então, um café-da-manhã com nosso presidente, Fabio Barbosa, e presidentes e diretores das empresas, para a discussão do tema. Deu certo. Alguns gestores das empresas participantes do treinamento já nos contaram que estão avançando internamente com os planos de ação.
Essa troca de informações é a base da colaboração, o nome do jogo na economia contemporânea. Temos consciência disso e queremos ampliar ao máximo as oportunidades de construção conjunta de conhecimento, seja com clientes, fornecedores, centros de pesquisa ou concorrentes, sempre focados em uma das essências de nossa atuação: inserir a sustentabilidade nas práticas de negócios.
Por isso, é muito importante a participação dos nossos Gerentes de Relacionamento (RMs) e gestores de contratos com fornecedores do Banco, que nos alimentam com casos de sucesso de integração da sustentabilidade ao negócio. Para estimular essa troca, desde abril de 2008, os funcionários podem compartilhar idéias e informações em um portal interno criado para esse fim. Além disso, o site de sustentabilidade (www.bancoreal.com.br/sustentabilidade
), voltado para o público externo, foi reformulado.
É também essencial deixar disponível a todos os interessados uma consistente base de informações e conceitos. Por isso, colocamos à disposição do público externo, na intranet e, posteriormente, no Portal, os cursos online de Edificação Sustentável
e Direitos Humanos
. O site de sustentabilidade traz ainda sugestões para serem aplicadas no dia-a-dia, em casa e no trabalho. Além disso, o Práticas oferece, com frequência, oficinas de sustentabilidade, visitas à agência sustentável de Cotia e palestras institucionais (Open House).
O Práticas conta, ainda, com um Conselho Consultivo, uma rede de apoio formada por 14 líderes dos mais variados segmentos de atuação na sociedade. Eles nos ajudam a definir o direcionamento estratégico.
Próximos passos
Daqui para frente, queremos ampliar cada vez mais as oportunidades de colaboração, uma ótima maneira de acelerar a prática da sustentabilidade na sociedade como um todo. A forma como aplicamos os Princípios do Equador
é um bom exemplo da experiência que queremos compartilhar. Pioneiros em sua implantação, convidamos, em 2007, outros bancos para uma leitura conjunta da versão revisada dos Princípios do Equador
. Atuamos fortemente, ainda, para disseminar o tratado internacional pela América Latina. Também participamos da elaboração do Estatuto de Governança dos Bancos aos Princípios do Equador. Atualmente, lideramos a Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que também deverá atrair as seguradoras, já que elas ainda não possuem um fórum para discutir como alinhar suas atividades ao conceito de sustentabilidade.
É por meio da colaboração que a inovação é hoje construída. Participamos, também, como associados, em 2007 da fundação do Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis, iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas e da Internacional Finance Corporation (IFC) para promover o desenvolvimento de práticas e iniciativas em sustentabilidade para o setor financeiro da América Latina. “Nós sempre acreditamos nessa postura e temos convicção de que não perdemos em competitividade. Pois quem tem a tradição de se arriscar e fazer primeiro ocupa seu lugar no mercado”, afirma Maria Luiza Pinto.
O “Práticas” nasce com esse espírito e com a ambição de ir cada vez mais longe nesse movimento colaborativo, articulando trocas de experiência e compartilhando aprendizados com todos. Nossos desafios agora, são aumentar a quantidade de cursos oferecidos; aumentar o alcance do programa para outras regiões do País; sistematizar um processo para compartilhar os ensinamentos trazidos por outras empresas; e incentivar a participação de todos os funcionários pelo site interno.
Para ampliar nosso alcance com o público externo, vamos promover teleconferências e webcastings. Em 2008, além de outros cursos, o site www.bancoreal.com.br/sustentabilidade
contará com um Banco de Práticas, onde serão reunidos nosso cases de sucesso e os de outras empresas, uma biblioteca com documentos de referência sobre o tema e um blog sobre sustentabilidade, com a participação dos Conselheiros do Práticas.