Nossa experiência na aplicação da sustentabilidade também serve como alavanca para a geração de novos negócios e a atração de mais clientes corporativos. Desde que identificamos essa oportunidade, passamos a investir na disseminação de nossa Visão associada ao fortalecimento dessas relações de confiança. Os ganhos são claros para todos. Afinal, se as práticas de nossos clientes forem cada vez melhores, mais sólidas e bem sucedidas serão essas empresas e mais seguros e freqüentes, nossos negócios. E não se trata de teoria. Nosso segmento de empresas médias, que atende companhias com faturamento até R$ 150 milhões anuais, tem crescido a taxas superiores a 40% nos últimos três anos. Em 2007, passamos por um processo de quebra do paradigma. Até então, construímos nossos relacionamentos a partir da postura de preparar ações e convidar as demais empresas a participar. Percebemos que havia chegado o momento de articular “plataformas de diálogo e convergência”, em que as ações e os próximos passos são definidos em conjunto com os parceiros. (Conheça mais sobre nossa atuação com empresas clientes no site www.bancoreal.com.br/sustentabilidade
.)
Interlocutor na Amazônia
Diante da nova perspectiva de construção do diálogo, acabamos por movimentar setores inteiros, como ocorreu com os madeireiros do Pará. Interessados em viabilizar negócios sustentáveis nessa área, possíveis somente se as madeireiras fossem certificadas, procuramos as empresas para realizar workshops de certificação. Ao ouvir nossos clientes, governo e ONGs que atuam na Amazônia, eles nos mostraram que os desafios envolvendo os madeireiros eram anteriores ao processo de certificação e que havia a necessidade de um interlocutor que ajudasse o setor a qualificar o diálogo e a resolver as questões legais, bem como fundiárias e de regulamentação. Enquanto alguns empresários madeireiros daquele Estado já faziam o manejo florestal sustentável, outros ainda agiam à moda antiga, não dando importância à questão da certificação.
Até meados de 2007, qualquer estímulo ao debate sobre a extração de madeira na Amazônia era sinônimo de atiçar o conflito aberto e a troca de farpas entre madeireiros, governos e ONGs. Não era para menos. As reportagens sobre desmatamento da Amazônia e os números da devastação – dos 7 mil quilômetros de área destruída na região amazônica, 17,8% estão no Pará – provocavam indignação por parte da opinião pública. O diálogo era pontual e pouco freqüente, o que não trazia benefícios para ninguém.
Com a nossa disposição em ajudar, fomos convidados a assumiro papel de catalisadores desse processo de aprendizado coletivo. Fruto da credibilidade e maturidade do Banco, sustentadas em um histórico de ações marcadas pela articulação e cooperação. Apoiamos, então, a criação de um grupo multidisciplinar, com o objetivo de encontrar soluções conjuntas, que reuniu empresários, ONGs e governo. Os primeiros encontros marcaram a construção de um diálogo mais aberto. “Percebemos um interesse mútuo. O que o Banco queria era também o que a gente queria: trazer a legalidade focada na sustentabilidade”, afirmou Demorvan Tomedi, diretor-presidente da madeireira Pampa Exportações, com 500 empregados no Pará.
Bem vindos ao Clube
Como no caso dos madeireiros de Belém, a nossa ação de disseminar a sustentabilidade para fora dos muros fomentou a criação de outros grupos de empresas para sustentabilidade, entre eles o de corretores de valores, formado ainda em 2007. Entre janeiro e abril de 2008, foram criados outros três grupos: o de empresas de saúde de Salvador (BA), e os de empresas da construção civil em São Paulo. São grupos de nossos clientes de Middle Market e Varejo que se encontram de maneira sistemática para promover o intercâmbio entre eles e compartilhar a trajetória do Banco em sustentabilidade.
O avanço de setores inteiros rumo à sustentabilidade contribuirá para acelerar a mudança e tornar os negócios mais seguros e sólidos.
Mãos à obra
Todos os grupos de empresas para a sustentabilidade estão em setores ou regiões com grande potencial de negócios. é o caso da construção civil, que responde por 15% do Produto Interno Bruto e é grande geradora de empregos. A relevância econômica é proporcional às possibilidades do setor em reduzir os impactos sociais e ambientais que provoca. Problemas como poeira, ruído e disposição inadequada de resíduos, além do consumo em excesso de energia elétrica e de água nos prédios, são questões que podem ser equacionadas pelas empresas. Muitas delas já buscam soluções no dia-a-dia dos negócios.
Diante desse cenário, vimos na construção civil uma oportunidade. Elaboramos, então, o Real Obra Sustentável, um novo modelo de relacionamento com as empresas que atuam no segmento. Uma das ações do programa foi a criação do Guia de Boas Práticas na Construção Civil, distribuído entre empresas do setor. O Guia contém informações sobre eficiência energética, conforto ambiental, conservação de água, seleção de materiais, saúde e conforto dos usuários, qualidade do empreendimento, gestão de resíduos; enfim, questões sociais, ambientais e econômicas ligadas aos empreendimentos imobiliários.
Além do Guia, também passamos a avaliar os critérios de sustentabilidade do projeto e da obra, medidos por meio de vistorias técnicas, questionários e estudos econômicos realizados antes da liberação de financiamentos. Para estimular o setor a implantar as boas práticas da sustentabilidade, criamos a Placa Real Obra Sustentável para diferenciar os empreendimentos que atingiram uma pontuação mínima, atendendo a uma série de critérios de obras sustentáveis, desde a fase do projeto até a de ocupação e uso do imóvel. As empresas envolvidas no programa passam por avaliações periódicas e recebem laudos técnicos com pontos fortes do empreendimento e dicas de oportunidades de melhorias.
A experiência com esses grupos tem se multiplicado. Até o início de 2008, foram criados quatro grupos, primeiro um no no Rio de Janeiro (RJ) depois outros no interior de São Paulo, em Belo Horizonte (MG), e no Recife (PE). Em Belo Horizonte, por exemplo, o grupo regional ganhou nome próprio: chama-se Clube da Sustentabilidade.
Essa moda pega
A busca por novos caminhos exige criatividade. Por isso, investimos na consolidação de parcerias e o estreitamento de laços com públicos diferentes, como o da São Paulo Fashion Week (SPFW
). Em 2007 e 2008, fomos parceiros da SPFW
, um dos principais calendários de moda do mundo.
A sinergia de valores resultarou em diversas ações. A primeira edição ocorreu em junho, e a segunda, em janeiro de 2008. Nós fizemos uma contribuição conceitual, com a escolha, em conjunto, dos assuntos que permearam a temática da SPFW
– água, na edição de junho, e diversidade, na edição de janeiro de 2008. Os organizadores da SPFW
também participaram de oficinas de sustentabilidade realizadas por nós.
Entre as ações resultantes da parceria, estão a contribuição para a formação do Fórum de Economia Criativa, uma plataforma de convergências e um ambiente de debates sobre as tendências de futuro e sobre a construção de caminhos coletivos de mudança. O Fórum reúne representantes do setor público, economistas, empresários da moda, design e mídia, entre outros profissionais ligados à indústria criativa. Temos a convicção de que ninguém consegue fazer nada sozinho. Para construirmos ações por um mundo melhor temos de trabalhar em conjunto. Isso vai guiar cada vez mais nossas ações e diretrizes.
Próximos passos
Queremos ampliar o número dos grupos de empresas para a sustentabilidade. Ainda existem muitos setores com os quais podemos compartilhar experiências. Estamos nos abrindo para construir caminhos junto com a sociedade. Também vamos fortalecer os grupos já com a sociedade. Todos os aprendizados obtidos ao longo de 2007, por meio da ampliação de possibilidades de negócios, a partir do diálogo e das trocas, nos impulsionam a investir ainda mais em ações que deram certo e ousar em iniciativas que podem promover intercâmbio. Alcançaremos, assim, novos ensinamentos, mais clientes e outras evoluções. Diante desse novo cenário, cada vez mais todas aquelas empresas que forem bem sucedidas em suas experiências internas serão estimuladas por nós a compartilhar seus aprendizados.
Uma das ações será o apoio à Semana Global de Empreendedorismo, iniciativa internacional que pretende inspirar jovens a tirar suas idéias do papel. Esse evento acontece pela primeira vez no Brasil, e o Banco Real participa com atividades destinadas aos funcionários, aos clientes e ao público em geral. Um desses públicos em potencial é o de jovens estilistas da Fashion Week, que esbanjam criatividade ao confeccionar suas produções, mas ainda têm pouco acesso ao crédito. Temos a consciência de que a aceleração dos negócios sustentáveis depende de boas idéias e de soluções criativas – que podem ser impulsionadas pelo Banco.
No ramo da Construção Civil
, pretendemos estender o projeto Real Obra Sustentável, que teve foco em São Paulo, em 2007, para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte em 2008. Outra meta é lançar, no segundo trimestre, um produto de construção individual para pessoa física, com acesso a taxas que estimulem as obras que utilizem práticas e soluções sustentáveis.
Empreendimento Terra Nova, da Rodobens/Encalso, em São José do Rio Preto (SP),
recebeu, em janeiro, a placa Real Obra Sustentável: um reconhecimento às boas
práticas adotadas na construção.
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Processo da disseminação
Quando identificamos que era o momento de articular plataformas de diálogo e convergência com nossos clientes, demos início à quebra de um paradigma de atuação dentro do próprio Banco. Isso não aconteceu de uma hora para outra. Como tudo, na trajetória da sustentabilidade, foi resultado de um processo, que teve início em 2005, quando começamos a convidar nossos clientes a compartilhar os desafios da inserção da sustentabilidade nos negócios. Naquele ano, organizamos 12 eventos regionais de sustentabilidade, com a equipe de Desenvolvimento Sustentável do Banco, realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Sorocaba, Porto Alegre, entre outros.
Depois dos eventos, notamos que era grande a curiosidade dos clientes, que nos procuravam para pedir mais informações, ávidos por saber como começar no caminho da sustentabilidade. Conversamos com alguns clientes e os convidamos a serem nossos parceiros na organização de um workshop de sustentabilidade para empresários. Organizamos, então, em 2006, um workshop que foi realizado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, com a presença de 80 empresários. Na organização, contamos com a parceria da gráfica Minister, da construtora Agenco, da Rede Othon de hotéis e da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro).